sábado, 8 de outubro de 2011

Corpo

Quais são algumas das formas pelas quais os movimentos em uma performance transmitem significados específicos ou gerais através da postura, gesto ou movimento no espaço?

Sim, há pantomima em que o significado é explícito e a reação de quem a observa é, basicamente, o reconhecimento, a revalidação do mundo material, por assim dizer. Há também a rica história do significado simbólico na dança. Poderíamos ainda nos referir ao significado psicológico do movimento, expresso na maioria das vezes por meio da representação de estados emocionais e, certamente, olhar para os códigos subjacentes implícitos- muitas vezes inconscientemente – entre performer e espectador, confirmando dessa forma, as idéias mais básicas sobre os valores sociais e o papel da arte na sociedade.

Por exemplo, códigos que refletem valores sociais como, equilíbrio e simetria, verticalidade e a cabeça como piloto do corpo ou códigos que sinalizam uma coreografia como simultaneidade, início e fim de gestos, fluidez dos movimentos, coordenação, dependência de uma base, e assim por diante.

Gostaria de investigar esses códigos mais detalhadamente em mensagens posteriores, por enquanto levantarei apenas dois pontos. Em primeiro lugar, o fato de que códigos subjacentes vêm restringindo severamente o vocabulário da dança moderna, pós-moderna e contemporânea. A disposição clássica ao universalismo no corpo tem efetivamente contido o rompimento com formas específicas e únicas de dança. Em segundo lugar, que esses mesmos códigos estimulam uma reação de interpretação e julgamento. O público é solicitado a considerar sobre o que se trata a performance e o que acham dela. A dança, portanto, torna-se outra coisa. Há uma falta de liberdade, na forma como a dança é feita e como ele é vista, sobre qual precisamos refletir.

                                                                                  do site de Rob List Espelho Para Flor

1961

 

O que a ênfase na idéia de conteúdo envolve é o perene e nunca consumado projeto de interpretação. E, inversamente, é o hábito de se aproximar de obras de arte a fim de interpretá-las que sustenta a suposição de que realmente existe nelas algo tal como um teor.

Compreender é interpretar. E interpretar é reafirmar o fenômeno, no sentido de encontrar um equivalente para ele.

É sempre em casos assim que a interpretação indica uma insatisfação (consciente ou inconsciente) com a obra, um desejo de substituí-la por outra coisa. Interpretação, baseada na teoria altamente duvidosa que uma obra de arte é composta por itens de conteúdo, viola a arte. Isso faz da arte um artigo para o uso, para o arranjo em um esquema mental de categorias.

O que é importante agora é recuperar os nossos sentidos. Temos de aprender a ver mais, ouvir mais, sentir mais. Nossa tarefa não é encontrar o máximo de conteúdo em uma obra de arte, muito menos espremer mais conteúdo da obra que já está lá. Nossa tarefa é reduzir o conteúdo de modo que possamos ver a coisa como um todo.

Susan Sontag, Against Interpretation, 1961