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terça-feira, 18 de novembro de 2014
sábado, 28 de dezembro de 2013
- - - - - - - - - - - - - - - - - cOLETIVOjOKER recebe o Prêmio Açorianos 2013 por Excelência Artística e de Pesquisa
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| Foto: Henri Cartier Bresson |
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gracias
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Corpo de Bueiro
Descobri uma certa relação de tempo e espaço.
Estou
simplificando a coisa, é claro.
Não
descobri.
Já sabia.
Mas trago
mais próximo do complexo além das células que por sua vez já continham em si o
engendramento do que quero falar agora.
Me refiro
ao MA do butoh Hijikatiano mas não é bem isso só isso.
A
valorização da diferença é o principal enraizamento necessário para o jardim.
Quero me
referir à deterioração de toda moral que necessita dela mesma para poder virar
Pátina Natural aos olhos ocos.
Não se
valha do racionalismo ou cartesianismo ou caretismo pra dessincronizar o
significado para além da significação que aqui pode vir a aparecer.
Tampouco
queira a esquizofrenia, intuição vaga, surrealismo, dadaísmo ou coisa que o
valha como lei.
Importo-me
com a relação possível com cada acentuação manifesta, e o estado bruto da
criação.
Houve um
tempo em que escrever me parecia ser o lugar máximo de minha existência, a
plenitude de minha expressão no mundo.
Hoje,
este lugar me parece distante.
Agora,
sinto uma relação sinestésica e afásica que se esforça para encontrar termos
que deem a ver o que se quer ao mesmo tempo em que não enclausurem a peça-chave
em contato com a informação.
Um
sistema complexo de informação que vagueia por sintonias possíveis e que
estabelece pontes criativas por meio do pensamento.
A
pretensão de ser essa uma escrita de corpo só equivale à sua possível
frustração ao encontrar pescoços rígidos.
Houve um
banho na água da rebeldia em algum momento de minha estruturação.
Aqui,
pesquisando sobre o corpo de bueiro, sobre butoh de hijikata, encontro minhas
grutas e caminhos, meus canos que construo para que passe água quente.
Não
poderia ser diferente, realmente acredito que só existe uma maneira adequada de
se mover, e que tem a ver com cada um ter sua própria maneira de se mover.
Não
necessário é negar ou afirmar qualquer caminho ou fonte, creio que o processo
digestivo é o que mais importa.
Neste
ponto, não acredito como cerne daquilo-arte que manifesto uma preocupação com a
representação, imitação, aprendizado clássico ou com formas preestabelecidas.
Acredito
em caminhos que apontam ou sugerem ou inspiram o caminho individual de cada um.
A possibilidade
de questionamento sempre me acompanhou e hoje encontra sua maneira de lidar com
a moral, com o aprendizado social do movimento, das habilidades precárias que
elegemos para servir ao mundo em que estamos.
Percebo
um momento oportuno de minha maturidade.
Percebo
as possibilidades de, com um picão, fazer um furo que estoure o cano por
dentro.
Percebo
como me é necessário o contraponto absurdo do comportamento normótico para que
minha maneira de mover e comunicar se expresse e encontre formas de destruir os
alicerces da construção que não me faz sentido e por sua vez é justamente
aquela que me é necessária, como um dínamo do ser movente que possa devir.
Fluxo,
Consciência, Estados CorpoMente, é um papo complexo.
Mas é
isso que me encanta no momento.
Corri uma
hora sem praticamente sair do lugar. Deixei a marca de meu suor pelo caminho.
Ao parar por menos de dez minutos, deixei a marca do corpo no chão de madeira.
Em seguida corri mais uma hora, sem, novamente, praticamente, sair do lugar.
Digo
corri porque é a ação que mais se assemelha aos gestos corporais que me
engajava durante este tempo e em referência ao espaço, mas no fundo estava em
gerúndio espaço-tempo.
Minha
ação performática possuía o respaldo da instituição.
Ainda
assim, arestas no cotidiano puderam ser captadas durante o processo.
Muito
suor saindo do corpo.
Pessoas
apressadas.
Árvore de
Natal.
Nunca
mais este prédio em que estamos...
Não
vejo a hora de tirar minha aposentadoria.
Televisão
ligada.
Quantos
Quilômetros?
Rastro de
suor.
Correr
sem sair do lugar, praticamente, não era nada senão uma experiência individual
minha, um rito pessoal, uma pesquisa sobre limites do corpo e de meu estado de
vigília e percepção diante de uma ação repetida com rigor e intensidade, mas
que necessitava do testemunho, a outra parte, aqueles que não se esvaíam ao
limite concreto numa concentração de duas horas.
Talvez
fosse uma tentativa minha de concentrar a vida que se esvaía dos poros, desde
sempre de uma forma diluída.
Eu não
era mais intenso que cada marca que cada corpo que cada linha perceptiva e
existencial disposta em qualquer canto do prédio da Fundarte.
Por outro
lado, criei a minha mitologia pessoal que engendrava a certeza interior de que
eu estava fazendo exatamente o que deveria estar fazendo enquanto o estava
fazendo.
Não
haveria como estar por dez minutos, necessitava estar num lugar zero, quero
dizer, eu não poderia saber que já estava há tanto tempo, não poderia saber
quanto tempo ficaria a partir dali.
Vazio de
intenção, porosidade para transbordamento, não dizer ao outro o que a minha
mente percepção cria de significado a partir de minha ação e do encontro com
outras ações e corpos e timings.
De forma
alguma a brigada militar poderia aceitar minha ida pra rua, eu tinha plena
certeza disto.
Tenho,
por certo, também, que a cueca branca, tornada transparente devido à intensa
sudorese, seria o gancho com o qual pescariam minha tentativa tola de abalar
algum pedaço de corpo social que pudesse resguardar um resquício de sensibilidade
e atenção à diferença, que dado o contexto, minha ação na rua poderia ser tanto
ínfima como cavalar, grotesca ou sublime, e quanto a isso, minha escolha foi
não ter a pretensão de querer a significação que mais me conviesse ou parecesse
adequada. Quero a criação alheia a partir do contato.
Barreira
numero 1: Loucura.
Acho
que ele é esquizofrênico
Loucura
tem que ver com medo e controle, sim?
Moço,
você está bem?
Faço que
sim com a cabeça.
Moço,
você precisa de ajuda?
Faço que
não com a cabeça.
Não satisfeita,
a moça pergunta outras vezes, mais e mais vezes, eu paro de menear a cabeça,
algumas crianças riem, percebo câmeras me filmando, escuto uma voz dando o
endereço, por telefone, da esquina em que estou correndo sem avançar.
Neste
momento, ao mesmo tempo em que me deleito com a imagem que faço de minha
própria ação de correr com muito vigor sem avançar, percebo o movimento ao meu
entorno como uma necessidade de controle social, sob o pretexto de uma
preocupação com minha saúde, com o chamamento da polícia, resolvo voltar para a
Fundarte, onde desde o início possuía respaldo da instituição.
Crio
hipóteses sobre pudor, violência, autoria, corpo, normose, cotidiano, controle,
poder; e resvalo pelo terreno obscuro das roupagens possíveis destas mesmas
coisas.
Então
penso se ter uma autorização policial e médica poderia me permitir estar na rua
realizando este ato com meu próprio corpo.
De fato
preciso experimentar com um calção qualquer.
O velho
aprendizado em tornar-se cada vez mais sutil.
A
insalubridade que experimento em meu próprio centro gravitacional ao adequar
minha postura e movimentação ao sistema de movimentos adequados socialmente é
tão intensa que, ao fazer a escolha de não abandonar minha sensibilidade,
criatividade, porosidade, antropofagismo único mutante não linear e nem
ideológico, acabo por fazer também a escolha de colocar no mundo a ação que
mais me faz sentido, assim, aquilo que chamo de performance tanto é uma
necessidade da geração de pergunta quanto de uma relação com um permitir-se
mover.
Não me
encontro politicamente engajado senão pelo desdobramento de meu estado
criativo, de estar no mundo como um processo potente, sem verdades prontas, sem
respostas, no meio do questionamento sobre limites, fronteiras, loucura e
sanidade, e entendendo que tudo passa de todas as formas pelo corpo.
Não sei
dizer como e sei que isso não é uma regra e justamente pode servir como
contrário do que comigo ocorre.
Mas,
tenho percebido que a viagem para dentro está me levando pra fora, para o
encontro, para o mundo.
Fico
feliz com esse borramento de limites entre aquilo que costumo chamar de dentro
e aquilo que costumo chamar de fora.
Não
compreendendo ainda como conseguimos nos organizar socialmente de forma tão
pouco sinestésica.
A garantia
do exercício da possibilidade se fazendo atualizar em minhas conexões neurais e
mecânicas.
Ainda que
somente estar parado em pé, em seguida da minha desistência e encontro com a
dor bloqueante nos tornozelos, que por sua vez foi meu alarme mais pungente,
tenha sido o momento de início do aprofundamento de minha pesquisa sobre o MA,
percebo como a ação física e a escolha feita pela inteligência-tornozelo foram
aqueles que me deram tal possibilidade.
Tornei-me
observador de meu próprio movimento e paragem. Tornei-me testemunha do corpo
que estava ali e já não era meu, digamos assim. Ser dançado é algo possível.
Penso que
este contato com a dança me coloca em trânsito, me afasta, a priori, também do
espaço da própria constituição generalizada da dança. Com isto, novamente me
deparo com a possibilidade de trânsito entre fronteiras e encontro a
necessidade de estourar o cano por dentro.
Bueiro me
levou pra cano.
Cano me
levou pra veia e artéria.
Veia e
artéria me levou pra sangue.
Sangue me
parece algo em fluxo contínuo, uma coisa material que me aproxima daquilo devir
e aquilo que seria o corpo do espaço.
Entrar em
sintonia e ressonância com o corpo do espaço.
Estabelecer
pontes, diferentes estações de rádio.
Habilitar
a possibilidade de ruído no canal.
Fazer
esses movimentos o mais apropriadamente possível.
Acho que
é isso que hoje chamo de performar.
Ou,
trazendo uma imagem mais poética:
O corpo está disposto
e sem esforço
estoura seu cano por dentro
o jato fino de sangue mancha o rosto de quem
observa.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Açorianos
07 indicações ao Premio Açorianos de Dança pelo trabalho A Cidade da Goma
:
Melhor Direção – Alessandro Rivellino
Melhor Bailarina – Iandra Cattani
Melhor Bailarino – Alessandro Rivellino
Melhor Figurino – Itiana Pasetti
Melhor Produção – ColetivoJoker e Liga Produção Cultural
Destaque em Dança Contemporânea pela Excelência Artística e de Pesquisa – ColetivoJoker
Melhor Novas Mídias – Vídeo Carne Moída – ColetivoJoker
“O equilíbrio entre Paradigmas Artísticos diferentes muitas vezes nos reserva surpresas, e que assim seja.”
Eduardo Calibri
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Corpo.
Venho por meio destas criptografias realizar uma incursão no âmbito das letras, em torno de ou ao
centro de minhas questões de pesquisa.
Corpo.
Senão vejamos: o começo já se instalou e cá estamos para reatualizar o amontoado de signos que em
si engendram a raiz de uma linguagem. Letra. Língua. Garganta. Peito. Segundo
minhas percepções do mundo (completamente dilaceradas e reconstruídas por
influências artísticas) tudo se resume (ou se resume ao contrário) a corpo.
Corpo.
Chega de justificativas.
Corpo.
O corpo que encontro quando
compro mamões ou os como, o corpo que sigo ao dançar, o corpo que me assalta
como bomba-relógio acelerada por um susto, corpo que tem vertigem quando estou
perto da queda, o corpo que o espelho vomita, o corpo que vomita, se contorce,
o corpo que sente o vento ou o segue, o corpo que lê esse texto, com os ouvidos
abertos pra chuva ou caminhão ou pássaros, com as tensões na mandíbula nos
olhos ou em toda face, nos ombros, no trapézio, o corpo confortável, o corpo
que resiste à mudança e o corpo que se entrega pra ela. (Peço clareza aqui em
relação às orações nas quais me refiro ao corpo como idéia de corpo, e
manifesto que não é disso que quero tratar, tampouco de um conceito fixo e
delimitado, quer seja biológico, antropológico ou mesmo metafísico, também
àquelas nas quais fica presente uma idéia de meu corpo, melhor seria eu
corpo, e sei que ainda assim precisaria pedir alguma espécie de perdão por
dizê-lo deste modo).
Corpo.
Agradeço
àqueles que lêem e me dão a liberdade dos poetas, tomando a
responsabilidade de entender o que quiserem entender a partir daquilo
que lêem; aos que tem referenciais acadêmicos acerca dos termos que os
usem e aos que não tem que usem sua imaginação, referências pessoais ou
mesmo um Michaelis qualquer.
(É detestável se desculpar sobre o que se escreve. Peço desculpas por todas as minhas justificativas e agradecimentos).
Body.
Estou interessado nas linhas (talvez não em formato
linear) que atravessam o corpo, e por isto mesmo o constituem e o tomam
como um
grande tema filosófico que não poderia encerrar-se com pouca demanda.
Nietzsche, Deleuze, Artaud, Abramovic, Gil², Zumthor, o reclamam.
(tomemos
reclamar como clamar mais de uma vez). O corpo como possibilidade de
engendrar
uma arte presencial que nos suscita o contato, visível ou invisível, mas
em muitos casos sensível, por entre as brechas, vácuos e arestas de
nosso
cotidiano; para que além dos comerciais de margarina possamos criar
também uma arte insensível². Em que medida insere-se como dança, até
onde ela vai e pra quem e
para quê ela aparece e com o que se parece; quando as Artes Visuais
englobam o
corpo para além de uma visão que o coloca como instrumento manipulador
de
instrumentos que criam obras fora de si e porque existe um espaço
chamado
galeria de arte que nos traz uma pré-concepção de referências que devem
lá
estar; em que momento a performance aparece como ritualização de
uma linguagem oral genuína, e como pode nos
revolver em seus sentidos filosóficos, antropológicos, artísticos e
políticos
sem perder sua capacidade poética, quase viral, com ou sem palavras;
como a
escrita pode transcender (palavra perigosa, envolvendo medo acerca de
tudo aquilo que vai alem de...) o amontoado de informações e
alcançar uma vida própria que está na linguagem antes da linguagem, que
confere
potência de vida ao abrir possibilidades criativas pra quem lê, quando
se cria
o sistema escritor escrito leitor e aí se enclausura algo, como chegar
no
cerne, e no corpo, e no cerne do corpo, e esse cerne dilacerado pra
todos os lados, não-fixo, como incluir sensações e reatualizar o presente que inclui o
entorno, a mão que segura o livro ou descansa próximo ao ecrã do
computador;(coloque interrogações onde quiser); o corpo atravessando e sendo
atravessado por tudo.
Corpo.
Afasia.
Corpo.
Não à toa, até aqui, uma palavra se repete em itálico e se assemelha a
outra também em itálico.
Me refiro a elas como uma possibilidade de concentrarmos
nossas atenções neste presente mutável e impermanente que estamos e focarmos
neste novo espaço de co-criação que se abre, uma relação que vai ao encontro do
ato performativo da leitura e de escolhas, comer uma maçã enquanto se lê ou
não. Reatualizar no sentido de
remontarmos a situação já sabida, ou seja, ler, num novo tempo presente; tomo
emprestado aqui uma frase de Julio Cortázar como ela habita minha lembrança e por
isso já recriada por mim: ao abrirmos uma lata de sardinhas não o façamos como
se estivéssemos abrindo ao infinito a mesma lata de sardinhas. Ritualização
se assemelha não no sentido
sacro da palavra, mas quando a atenção converge em presença para um ato
comum,
neste caso aqui e agora, o espaço escrever-ler em co-criação para além
do
verbo. Perguntar-se em que medida todas as nossas imanências se fundem e
destoam nos compele no mínimo a nos posicionarmos com nossas
possibilidades e
capacidades de escolha. A dança, as artes visuais, o teatro, a
performance, a
literatura, atravessam m(eu) corpo. A filosofia e a antropologia emergem
como
alternativas de ancoramento de um barco à deriva e em contrapartida são o
içar
de âncoras de um território conhecido. Para além de pistas e pontos de
apoio,
um sistema concreto de base permeia os questionamentos e a estrada que
enveredo
com foco, um sistema que parece ter haver com algo do zero, o potencial
criativo imanifesto e o mesmo potencial imanifesto ao contrário, algo
não-fixo, a dúvida transando com a certeza(os dois), o espaço existente
entre a inspiração e a expiração, o brilho dos olhos do filho dos dois.
Permear e habitar, como possibilidade criativa e renovadora da arte,
qualquer
território limítrofe, já sabendo da convergência do para ao com o corpo.
Espaço é corpo. Espaço é artéria, nós somos sangue. Espaço é corpo.
...
Bóta no google imagens: corpo.
Não há, por conseqüência, nenhum
afastamento possível do corpo que se implica na pesquisa dela própria, por
onde, possivelmente, podemos flertar com algo ainda além do conceito de práxis, pois num sentido atual já
encontra-se impregnado (ele mesmo, o corpo, esse corpo que vos fala, que tenta
remontar a voz por entre as linhas pretas e símbolos requerendo decodificação)
de teoria prática ou de uma prática teórica. Assim encontramos aqui a
proposição corpo-continente pretendendo ir além das pontes com outros
corpos-continentes e remontar uma pangéia contemporânea sem abandonar seu
paradoxo que reorganiza caoticamente linhas de força infinitas em todas as
direções.
sábado, 8 de junho de 2013
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