quarta-feira, 19 de junho de 2013



Corpo.
Venho por meio destas criptografias realizar uma incursão no âmbito das letras, em torno de ou ao centro de minhas questões de pesquisa.
Corpo.
Senão vejamos: o começo já se instalou e cá estamos para reatualizar o amontoado de signos que em si engendram a raiz de uma linguagem. Letra. Língua. Garganta. Peito. Segundo minhas percepções do mundo (completamente dilaceradas e reconstruídas por influências artísticas) tudo se resume (ou se resume ao contrário) a corpo.
Corpo.
Chega de justificativas.
Corpo.
O corpo que encontro quando compro mamões ou os como, o corpo que sigo ao dançar, o corpo que me assalta como bomba-relógio acelerada por um susto, corpo que tem vertigem quando estou perto da queda, o corpo que o espelho vomita, o corpo que vomita, se contorce, o corpo que sente o vento ou o segue, o corpo que lê esse texto, com os ouvidos abertos pra chuva ou caminhão ou pássaros, com as tensões na mandíbula nos olhos ou em toda face, nos ombros, no trapézio, o corpo confortável, o corpo que resiste à mudança e o corpo que se entrega pra ela. (Peço clareza aqui em relação às orações nas quais me refiro ao corpo como idéia de corpo, e manifesto que não é disso que quero tratar, tampouco de um conceito fixo e delimitado, quer seja biológico, antropológico ou mesmo metafísico, também àquelas nas quais fica presente uma idéia de meu corpo, melhor seria eu corpo, e sei que ainda assim precisaria pedir alguma espécie de perdão por dizê-lo deste modo).
Corpo.
Agradeço àqueles que lêem e me dão a liberdade dos poetas, tomando a responsabilidade de entender o que quiserem entender a partir daquilo que lêem; aos que tem referenciais acadêmicos acerca dos termos que os usem e aos que não tem que usem sua imaginação, referências pessoais ou mesmo um Michaelis qualquer.
(É detestável se desculpar sobre o que se escreve. Peço desculpas por todas as minhas justificativas e agradecimentos).
Body.
Estou interessado nas linhas (talvez não em formato linear) que atravessam o corpo, e por isto mesmo o constituem e o tomam como um grande tema filosófico que não poderia encerrar-se com pouca demanda. Nietzsche, Deleuze, Artaud, Abramovic, Gil², Zumthor, o reclamam. (tomemos reclamar como clamar mais de uma vez). O corpo como possibilidade de engendrar uma arte presencial que nos suscita o contato, visível ou invisível, mas em muitos casos sensível, por entre as brechas, vácuos e arestas de nosso cotidiano; para que além dos comerciais de margarina possamos criar também uma arte insensível². Em que medida insere-se como dança, até onde ela vai e pra quem e para quê ela aparece e com o que se parece; quando as Artes Visuais englobam o corpo para além de uma visão que o coloca como instrumento manipulador de instrumentos que criam obras fora de si e porque existe um espaço chamado galeria de arte que nos traz uma pré-concepção de referências que devem lá estar; em que momento a performance aparece como ritualização de uma linguagem oral genuína, e como pode nos revolver em seus sentidos filosóficos, antropológicos, artísticos e políticos sem perder sua capacidade poética, quase viral, com ou sem palavras; como a escrita pode transcender (palavra perigosa, envolvendo medo acerca de tudo aquilo que vai alem de...) o amontoado de informações e alcançar uma vida própria que está na linguagem antes da linguagem, que confere potência de vida ao abrir possibilidades criativas pra quem lê, quando se cria o sistema escritor escrito leitor e aí se enclausura algo, como chegar no cerne, e no corpo, e no cerne do corpo, e esse cerne dilacerado pra todos os lados, não-fixo, como incluir sensações e reatualizar o presente que inclui o entorno, a mão que segura o livro ou descansa próximo ao ecrã do computador;(coloque interrogações onde quiser); o corpo atravessando e sendo atravessado por tudo.
Corpo.
Afasia.
Corpo.
   Não à toa, até aqui, uma palavra se repete em itálico e se assemelha a outra também em itálico. Me refiro a elas como uma possibilidade de concentrarmos nossas atenções neste presente mutável e impermanente que estamos e focarmos neste novo espaço de co-criação que se abre, uma relação que vai ao encontro do ato performativo da leitura e de escolhas, comer uma maçã enquanto se lê ou não. Reatualizar no sentido de remontarmos a situação já sabida, ou seja, ler, num novo tempo presente; tomo emprestado aqui uma frase de Julio Cortázar como ela habita minha lembrança e por isso já recriada por mim: ao abrirmos uma lata de sardinhas não o façamos como se estivéssemos abrindo ao infinito a mesma lata de sardinhas. Ritualização se assemelha não no sentido sacro da palavra, mas quando a atenção converge em presença para um ato comum, neste caso aqui e agora, o espaço escrever-ler em co-criação para além do verbo. Perguntar-se em que medida todas as nossas imanências se fundem e destoam nos compele no mínimo a nos posicionarmos com nossas possibilidades e capacidades de escolha. A dança, as artes visuais, o teatro, a performance, a literatura, atravessam m(eu) corpo. A filosofia e a antropologia emergem como alternativas de ancoramento de um barco à deriva e em contrapartida são o içar de âncoras de um território conhecido. Para além de pistas e pontos de apoio, um sistema concreto de base permeia os questionamentos e a estrada que enveredo com foco, um sistema que parece ter haver com algo do zero, o potencial criativo imanifesto e o mesmo potencial imanifesto ao contrário, algo não-fixo, a dúvida transando com a certeza(os dois), o espaço existente entre a inspiração e a expiração, o brilho dos olhos do filho dos dois. Permear e habitar, como possibilidade criativa e renovadora da arte, qualquer território limítrofe, já sabendo da convergência do para ao com o corpo. Espaço é corpo. Espaço é artéria, nós somos sangue. Espaço é corpo.
...
Bóta no google imagens: corpo.
Não há, por conseqüência, nenhum afastamento possível do corpo que se implica na pesquisa dela própria, por onde, possivelmente, podemos flertar com algo ainda além do conceito de práxis, pois num sentido atual já encontra-se impregnado (ele mesmo, o corpo, esse corpo que vos fala, que tenta remontar a voz por entre as linhas pretas e símbolos requerendo decodificação) de teoria prática ou de uma prática teórica. Assim encontramos aqui a proposição corpo-continente pretendendo ir além das pontes com outros corpos-continentes e remontar uma pangéia contemporânea sem abandonar seu paradoxo que reorganiza caoticamente linhas de força infinitas em todas as direções.

E o que está no entre?

sexta-feira, 22 de março de 2013

The Practice of the Wild - Gary Snyder


Our bodies are wild. The involuntary quick turn of the head at a
shout, the vertigo at looking off a precipice, the heart-in-the-throat
in a moment of danger, the catch of the breath, the quiet moments
relaxing, staring, reflecting—all universal responses of this mammal body. They can be seen throughout the class. The body does
not require the intercession of some conscious intellect to make
it breathe, to keep the heart beating. It is to a great extent selfregulating, it is a life of its own. Sensation and perception do not exactly come from outside, and the unremitting thought and imageflow are not exactly outside. The world is our consciousness, and it
surrounds us. There are more things in mind, in the imagination,
than "you" can keep track of—thoughts, memories, images, angers, delights, rise unbidden. The depths of mind, the unconscious,
are our inner wilderness areas, and that is where a bobcat is right now.
I do not mean personal bobcats in personal psyches, but the bobcat
that roams from dream to dream. The conscious agenda-planning
ego occupies a very tiny territory, a little cubicle somewhere near the
gate, keeping track of some of what goes in and out (and sometimes
making expansionistic plots), and the rest takes care of itself. The
body is, so to speak, in the mind. They are both wild.
Some will say, so far so good. "We are mammal primates. But we
have language, and the animals don't." By some definitions perhaps
they don't. But they do communicate extensively, and by call systems we are just beginning to grasp.
It would be a mistake to think that human beings got "smarter"
at some point and invented first language and then society. Language and culture emerge from our biological-social natural existence, animals that we were/are. Language is a mind-body system
that coevolved with our needs and nerves.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Tornar Visível o Invisível do Visível




Não pretendo com isto aqui estabelecer qualquer espécie de ensaio ou crítica.
Tampouco gosto de ter que avisá-lo de antemão.
A exposição de Nick Rands me suscitou várias coisas, digo coisas por ser a única maneira de mencionar aquilo que é atemporal e inclassificável dentro de um sistema número-letra-símbolo desta linguagem escrita que pseudo-domino. Ainda que a própria frase precedente e muitas das que se seguem possam nos bombardear em contradição, quiçá paradoxo, não podem de maneira alguma definir exatamente o que o estado rizomático de relação entre pensamentos, intuições, sensações, sentimentos, sonhos, realidades, passados e passados ao contrário (me) produziram a partir do contato com a obra.
Digo que, microperceptivamente, aconteceram coisas que meu estado de apreensão atual, mesmo que ampliado após e durante o contato com as obras do artista, não consegue dar conta para traduzir e, assim mesmo, aqui me valho de todas minhas possibilidades para perseguir este invisível, oriundo de uma arte insensível, insensível no sentido de José Gil.
O corpo. Músculos, ossos, vísceras, órgãos.
O corpo sem órgãos. O limite dentro-fora.
Sangue. O sangue circulando por dentro do corpo, as linhas de força atravessando tudo.
Identidade.
Artaud.
Bauman.
O Invisível do visível.
Não estou em posição de dizer sobre aquilo que eles falam, pois eles falam por si mesmos, assim como não estou em posição de falar sobre a exposição, que também, e felizmente, fala por si só. Apenas cá estou pra manifestar, da forma que mais me parece conveniente a mim mesmo,
as coisas que fluem através de mim a partir do contato que tive, fulminante.
Nada melhor pra mim que fazer isto, justamente para lidar com aquelas coisas que o pensamento, sozinho, não dá conta.
Nada melhor que trabalhar sinestesicamente, com todos os sentidos, e outros, e a mistura deles, para se envolver com uma obra.
E nada melhor há que obras que nos despertem e suscitem isto, sem que precisemos perseguir com esforço, tentando co-criar com o artista, coisa que, aliás, já deveríamos estar preparados por princípio, mas que não deve, como foi o caso, nos ser de demasiado esforço atingir.
As linhas de força, as linhas de fuga, aquilo que o olho buraco-negro absorve e aquilo que o olho buraco-branco emite naquilo que co-cria ao observar.
Está tudo lá, e muito mais, muito mais está lá. E por conseguinte aqui, com resíduos, aqui agora.
A preciosidade de um trabalho que traz em si a presença da complexidade apresentada de forma simples.
Organizado em vários sentidos, mas principalmente no sentido orgânico, próximo da vida, da história, das marcas invisíveis que manifestam no visível do corpo uma vida, um reconhecimento, um movimento em processo interdependente e (porque não?) humanitário. A artéria-espaço preenchida de nosso sangue-corpo-vida, percorrendo um caminho dentro do invisível, onde dois corpos ocupam sim o mesmo lugar no espaço, diante da derrocada temporal, do manifesto da eternidade dentro de um diamante bruto de presença, e encontros não marcados, não óbvios, não percebidos com a percepção grossa e fria, mas remontados e liquefeitos, quase entropicamente e por paradoxo complementar apresentados dentro de uma estrutura visual corporal, pela mão-mente-lápis-corpo-órgão-máquina-fotográfica-coração de um artista, deste artista. Recomendo o trabalho de Nick Rands: Did I see Another Angel? .


"Princípio, Processo e Finalização é Verbo" - - - - - - - - - - Tomio Kikushi


Inspirado por Wagner Ferraz com seu texto sobre (des) coreografar http://umacritica.posterous.com/cuidado-fragil-grupo-experimental-de-danca-da e pelo trabalho Como Montar um Baile, de Sílvia Canarim e Grupo e Iandra Cattani, fui/vim parar(não é parar) em Rob List. Simples assim.

The beginnings and the endings of movement are the fixed poles of what we might call choreography. Generally we’re concerned with what goes on in between these, in the musicality and dynamics of the body in time and the shapes and positions of the body in space. Beginnings and endings imply a caesura, a place for movement grammar to occur.
In general the beginning and ending of any gesture in dance or movement theater is easily identifiable. Most classical dance training emphasizes clarity in initiating or resolving movement, and this clarity or punctuality is also common in the choreographies of many modern, postmodern and contemporary dance artists. Here it begins, there it ends; everyone can see the decision-making. This clarity is often the result of musical timing, dance’s traditional role accompanying music in ‘getting down on the one.’ Not to begin or end clearly is usually considered muddy, unfocussed or untrained.
However beginnings and endings also reveal a underlying intention – to make or choreograph something. Seeing the beginning or ending of a movement means primarily seeing a plan at work; starting or stopping itself indicates a demonstration or display of what is essentially determination. The viewer detects intention and attempts to evaluate or interpret what is being intended. Do I like it? Do I get it?
If this plan is somehow hidden or expressly un-indicated in the beginning or ending of a gesture, the viewer is only aware of a movement after it has begun, only aware of its ending after it has stopped. The performance takes on the character of a magic show, where perception itself is foregrounded; something happening “before your very eyes.” Often this conflicts with preconceptions about reality. A gesture too can come from nowhere and vanish without a trace.
This could be more important than the choreography.

ROB LIST - ESPELHO PARA FLOR

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Great Job !

copiado de wagnerschwartz.com



vídeo parte da performance "placebo 2008" www.wagnerschwartz.com

com: danislau também
cinegrafia: castor
edição: ana reis & wagner schwartz
colaboração: guarany lavor


[flowchart]

Greta Garbo
The Pin-up's dreams
The 50's
All of this existed
to dress Aninha

Aninha saw a cashew tree
Aninha went to Maracanã
Aninha saw a plane in the sky
Aninha wet her feet in the river
Aninha wet her feet in the sands of Rio

Vocal and Drums: Danislau Também
Guitar: Enzo Banzo
Bass: Moita Mattos

Written by Danislau Também
Copyright © 2008 Star Putz
All rights reserved


FLUXOGRAMA

Greta Garbo
The Pin-up's dreams
The 50's
Tudo existiu
pra vestir Aninha

Aninha viu um pé de caju
Aninha foi no Maracanã
Aninha viu um avião no céu
Aninha molhou os pés no rio
Aninha molhou os pés na areia do Rio

Voz e Bateria: Danislau Também
Violão: Enzo Banzo
Baixo: Moita Mattos

Letra: Danislau Também
Copyright © 2008 Star Putz
Todos os direitos reservados

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Trabalho + Inspiração + Tempo + Parto + Nascimento + Trabalho

Vejo a Arte nascendo não daquilo que se deseja fazer mas daquilo que não pode deixar de ser feito

  
To live a creative life,
we must lose our fear of being wrong.
Take your work seriously but not yourself.
Never acknowledge ‘mistakes’ because they do not exist in art.
Learn to communicate with people and your art will improve dramatically.

(O texto acima foi encontrado em um arquivo txt antigo em meu computador, sem referência a qualquer fonte ou origem, minha memória falha remonta ao site de Rob List, Mirror to The Flower, mas não posso garantir.)